A 2ª Instrução do grau de Aprendiz trata do Painel da Loja de Aprendiz e, nela, diz-se ser o caminho que o maçom deve trilhar. Isto posto, este texto tem o objetivo de promover uma reflexão acerca de um dos elementos existentes no Painel: a Escada de Jacó.
No livro de Gênesis, capítulo 28, versos 10 à 19, a Escada, que se erguia do chão ao céu, é mencionada como fruto de um sonho tido por Jacó onde, por ela, subiam e desciam os anjos. Posteriormente, em Gênesis 32 consta o relato de uma luta entre Jacó e um provável anjo materializado, luta esta que deixou sequelas no personagem bíblico.
Do ponto de vista da filosofia espírita, os degraus desta escada representam os vários níveis de evolução do espírito, e o vai e vem de anjos na Escada simboliza o intercâmbio entre o mundo espiritual e o material.
Apesar de linhas doutrinárias diferentes, ambas, tanto o cristianismo quanto o espiritismo, que permeia igualmente os ensinamentos do Cristo, trazem consigo um ponto em comum: a Escada de Jacó é um elemento que representa a necessidade de o homem se livrar de suas asperezas, partindo ela do chão onde residem os vícios, até o céu que representa o plano espiritual.
A maçonaria se apropriou desta simbologia, sabiamente, para reforçar a ideia de que precisamos nos melhorar, se queremos fazer feliz a humanidade. Mas, vejam que isto não é feito sem o apoio e a inteligência necessária. Na Escada exposta no Painel da Loja de Aprendiz, alguns elementos estão contidos nela, sem os quais nada conseguiremos: a cruz, a âncora e o cálice, senão, vejamos:
A cruz, o elemento mais próximo da terra, representa a fé, não a fé dogmática, mas a confiança no G.’. A.’. D.’. U.’.. Sem ela, a fé, o maçom sucumbirá diante das dificuldades.
A âncora nos dá a estabilidade, a esperança que precisamos ter para não retrocedermos na batalha contra os vícios morais.
O cálice é a caridade, localizado num ponto mais próximo à esfera espiritual. A prova de que é possível vencer as mazelas morais existentes em nós.
Importante observar que elas não estão em degraus sequenciais, um logo após o outro, mas espaçados. Isto sugere que, entre um nível e outro existe um intervalo de provações e reafirmações. Seria como se houvesse provações entre as etapas para que cada um de nós possa avaliar sua trajetória.
Isto ratifica que existe uma luta individual a ser travada entre nós e os nossos vícios, bem parecida com a que Jacó teve com o anjo, tendo sua coxa machucada. Ou seja, embora venhamos a vencer a nossa luta, as cicatrizes ficarão. Talvez venhamos a sentir as dores morais de tudo o que fizemos e do que queremos não mais fazer: são nossas experiências.
Por fim, meus irmãos, a subida pela Escada de Jacó, cuja representação está descrita acima, nos leva a outra afirmação: a perfeição não é um estado, mas uma busca.
Jáber Campos.’.
Aprendiz de Gente
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