sábado, 11 de abril de 2026

Bem entendido


Quão triste eu estava

A um passo de minha chegada

Neste mundo tão tamanho

Nem sequer chorava

Parei logo na entrada 

Tudo muito estranho.


Atordoado com a nova sensação 

De não ter a liberdade

Que gozava no infinito.

Já não via meu irmão 

Com quem vivi na eternidade 

Num mundo mais bonito.


Nasci, meio roxo e indefeso

Me descobrindo do véu

Que puseram pr'eu descer 

Chorei, quase ileso 

Perguntando à Deus do céu 

Que mal eu fiz para nascer.


Depois desse tormento 

Entendi: "não tem mais jeito"

Logo descubro o porquê.

Muito, mas muito pensamento 

Dentro e fora do meu leito

Se vim, lá vou fazer.


Inocente por longos anos

Qualquer coisa uma alegria

Coisas da meninice.

Logo mudei de planos

De um abraço eu corria

Me comprazia com a velhice.


Com os anciãos eu andava

Num mundo de difícil trato

De maldade e intolerância. 

Deles eu escutava 

Que de um ser abarrotado

Só se tem ignorância.


Seguia meu caminho 

Buscando compreender

O meu papel nesta terra

Recebi flores e espinhos

Chorei e ri com intenso prazer

Acertei e errei. Alguém não erra?


Iludido alguma vez

Arrependimento não carrego

Aprendi a aprender.

Enxerguei que com o três 

Pude combater meu ego

Escutei e comecei a ler.


Irmãos que me encontraram 

Num caminho solitário 

Me trouxeram o alimento.

Por necessidade me levaram

Num ambiente temerário 

Para atiçar meu pensamento.


Quão bom e quão suave é 

Estar entre a realeza

E beber da mesma fonte.

Percebi que a minha fé 

Só ergueu a fortaleza

Desde sempre em minha fronte.


Num caminho solitário 

Alinhados chacras e plexos 

A caridade é o fim

Do amor que está na tez.

Entender não é complexo

Se não foi para mim

Não será para vocês.


Imagem criada por IA.

 Jáber Campos.'.

Aprendiz de gente


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