Quão triste eu estava
A um passo de minha chegada
Neste mundo tão tamanho
Nem sequer chorava
Parei logo na entrada
Tudo muito estranho.
Atordoado com a nova sensação
De não ter a liberdade
Que gozava no infinito.
Já não via meu irmão
Com quem vivi na eternidade
Num mundo mais bonito.
Nasci, meio roxo e indefeso
Me descobrindo do véu
Que puseram pr'eu descer
Chorei, quase ileso
Perguntando à Deus do céu
Que mal eu fiz para nascer.
Depois desse tormento
Entendi: "não tem mais jeito"
Logo descubro o porquê.
Muito, mas muito pensamento
Dentro e fora do meu leito
Se vim, lá vou fazer.
Inocente por longos anos
Qualquer coisa uma alegria
Coisas da meninice.
Logo mudei de planos
De um abraço eu corria
Me comprazia com a velhice.
Com os anciãos eu andava
Num mundo de difícil trato
De maldade e intolerância.
Deles eu escutava
Que de um ser abarrotado
Só se tem ignorância.
Seguia meu caminho
Buscando compreender
O meu papel nesta terra
Recebi flores e espinhos
Chorei e ri com intenso prazer
Acertei e errei. Alguém não erra?
Iludido alguma vez
Arrependimento não carrego
Aprendi a aprender.
Enxerguei que com o três
Pude combater meu ego
Escutei e comecei a ler.
Irmãos que me encontraram
Num caminho solitário
Me trouxeram o alimento.
Por necessidade me levaram
Num ambiente temerário
Para atiçar meu pensamento.
Quão bom e quão suave é
Estar entre a realeza
E beber da mesma fonte.
Percebi que a minha fé
Só ergueu a fortaleza
Desde sempre em minha fronte.
Num caminho solitário
Alinhados chacras e plexos
A caridade é o fim
Do amor que está na tez.
Entender não é complexo
Se não foi para mim
Não será para vocês.
Jáber Campos.'.
Aprendiz de gente
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